Quem comunica as comunicações?

Assim como aconteceu em nosso país, empresas de diversas nações enviaram o máximo possível de colaboradores para trabalhar diretamente de casa, como forma de diminuir o contágio de você-sabe-qual-vírus. Muitas pessoas tiveram que trabalhar a distância pela primeira vez e, como era de se esperar, dúvidas surgiram nesse momento e uma das principais foi: como ficará a troca de informações nesse contexto? Essa resposta, que durante um bom tempo ficou apenas no campo das suposições, ganhou contornos mais precisos após o jornal científico Nature Human Behavior divulgar um mega estudo sobre como a pandemia afetou a comunicação interna das firmas.

Linha cruzada

E quando falamos mega estudo, não estamos exagerando: feito quase que totalmente por pesquisadores da Microsoft (a exceção ficou por um pesquisador da Haas School of Business), o levantamento analisou o tráfego de comunicações geradas por 61 mil funcionários da firma lá nos EUA entre dezembro de 2019 e junho de 2020. O time coletou e anonimizou o fluxo de comunicação de ferramentas como e-mails, calendários, videoconferências e mensagens instantâneas, para estimar os efeitos da pandemia em aspectos como comunicação e colaboração. Divulgada em setembro, a pesquisa aponta que o método remoto-express prejudicou de fato tanto compartilhamento de novas informações como a descoberta de dados.

Juntos, porém não misturados

Para chegar a essa conclusão, o time de pesquisadores trabalhou os dados de forma a conectar cada um dos funcionários com as outras pessoas com quem eles falavam pelos canais corporativos. Após construir essa “teia organizacional”, a equipe separou a rede de contatos de cada colaborador em duas categorias: colegas que trabalham na mesma área e colegas que trabalham em diferentes áreas. Com isso, foi possível perceber que a média de contato com pessoas de outros departamentos foi reduzida de forma significativa durante o período estudado. Por exemplo: a pesquisa identificou que, no segundo trimestre de 2020, as pessoas colaboraram 25% menos com gente de outros times do que a média registrada entre o final de 2019 e começo de 2020.

Não é jogar conversa, é criar aliados

Os dados apresentados são importantes porque confirmam uma percepção sentida por boa parte das pessoas que já trabalharam presencialmente. No caso, a percepção é: quando toda a empresa está no mesmo prédio, fica mais fácil conhecer pessoas de outros departamentos e, assim, aprender de forma quase que espontânea dados e informações que levariam mais tempo e dariam mais trabalho para absorver. E mesmo nos casos em que você não tem a informação necessária, quando se conhece boa parte da galera da firma dois pontos se destacam: 1) saber quem é a pessoa que sabe ou 2) saber quem é a pessoa que pode saber quem sabe. Esses paranauês do networking interno, que quebram um galhão, perderam-se por conta do home office.

Menos separação, mais edificação

Apesar de o resultado mostrar a necessidade de ajustes, é importante levar em conta aspectos, como o período final da pesquisa e o fato de que estamos, bem, em uma pandemia global. Além disso, o estudo apontou aspectos positivos: apesar de a galera não estar pertinho dos colegas de outras áreas, a relação entre as equipes ficou bem mais próxima —  o que é o sonho de princesa de muitas lideranças. Aliás, com todos esses dados em mãos, as empresas podem buscar alternativas para aumentar a troca de informações entre os departamentos. Nesse momento cheio de mudanças, é até melhor que as firmas já saibam desse rolê para pensar em como adaptar o momento do cafezinho para os ambientes híbridos.

Fonte: https://mailchi.mp/thebrief/comunicao-no-mute

Publicado por luizguilhermeguedes

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