Iona Szkurnik: Como será a carreira de professor no futuro?

Professor é insubstituível, e tecnologia deve ser aliada ao processo de aprendizagem como um todo

Por BússolaPublicado em: 29/10/2021 às 10h00
Alterado em: 29/10/2021 às 15h45
Tempo de leitura: 4 min


Por Iona Szkurnik*

Claro que o Dia dos Professores é importante todos os anos, mas, depois do tsunami que vivemos com a pandemia, acredito que agora é ainda mais relevante celebrar, agradecer e apoiar todos os professores e professoras. Afinal, eles passaram — e continuam passando — por uma das maiores transformações em sua carreira desde que o mundo é mundo. Com tantas mudanças em curso, como será essa profissão daqui para a frente?

Uma coisa é fato: o professor é insubstituível, especialmente na infância. No entanto, também entendo que, na era da informação, o bom educador não ocupa mais aquela posição de transmissor soberano do conhecimento. Ele é alguém que instiga, orienta, aponta caminhos, promove o pensamento crítico e fomenta a criatividade dos estudantes.

Mais do que um instrutor, portanto, o novo professor é um mentor e um mediador: alguém capaz de motivar e de capacitar os alunos para que sigam sempre aprendendo. Para isso, é preciso construir uma relação dialética com os estudantes, considerando seus interesses e particularidades, propondo reflexões relevantes, ajudando-os na resolução de problemas reais, criando ambientes que favoreçam a colaboração e a experimentação.

Foi isso que eu busquei fazer quando resolvi me dedicar a dar aulas aqui na Califórnia. Assim como muitas regiões do mundo, o sistema de educação pública lida uma crônica falta de professores e para mitigar essa situação, o estado da Califórnia desenvolveu uma política pública para “Professores Substitutos”, cujo certificado anual é para os corajosos que topam enfrentar o desafio de cobrir professores em licença médica, maternidade ou qualquer outro motivo.

Após anos como empreendedora em educação e tecnologia, eu encarei essa ideia como uma oportunidade para vivenciar o “chão de fábrica” e entender na pele o que significa colocar o aluno no centro e usar os recursos humanos e tecnológicos disponíveis. Passei pelas melhores e piores escolas da região de Palo Alto e Menlo Park, e entendi o real valor de ferramentas que ajudem a gestão de sala de aula, geração e compartilhamento de conteúdo, plataformas que facilitam a compreensão de conceitos complexos, comunicação com os pais, interação entre professores da mesma área, entre outros tantas facetas da vida de um professor.

É por isso que, como entusiasta da educação e da inovação, acredito que um dos principais objetivos do desenvolvimento de tecnologias educacionais deve ser amplificar e potencializar o impacto desses profissionais. Exemplos de como isso pode ser feito não faltam — e, com o crescente investimento em edtechs, devem se tornar cada vez mais comuns.

Por enquanto, a face mais visível desse fenômeno certamente está no ensino remoto. Se antes o alcance de um professor ficava restrito a não mais que algumas centenas de alunos a cada ano, agora as plataformas digitais o permitem chegar a um número praticamente ilimitado de estudantes, cruzando fronteiras geográficas e socioeconômicas.

Mas a transformação mexe também com o ensino presencial. A incorporação de tecnologias que fazem uso de inteligência artificial e análise de dados torna possível para o professor conhecer mais a fundo cada um de seus alunos, permitindo uma abordagem mais personalizada de ensino.

A maior disponibilidade de recursos digitais também dá muito mais versatilidade às aulas, além de facilitar uma abordagem “mão na massa”, que contribui para desenvolver a criatividade, a resolução de problemas e o trabalho em grupo — todas habilidades extremamente necessárias nos tempos em que vivemos.

Além disso, a tecnologia já vem sendo usada com sucesso na própria formação dos educadores, um ponto crucial para elevar a qualidade do sistema de ensino como um todo. Nos Estados Unidos, ferramentas de realidade virtual permitem que estudantes de Pedagogia participem de simulações do ambiente de sala de aula. Assim, têm a oportunidade de colocar em prática os conhecimentos adquiridos e receber feedback de seus professores — tudo muito antes de conhecer sua primeira turma de verdade.

Como mãe de dois adolescentes, sinto que a pandemia fez com que as famílias percebessem ainda mais a importância dos professores. Muitas edtechs também já entenderam que a educação não pode prescindir desses profissionais, e que a tecnologia tem que vir para melhorar a experiência de educadores e alunos. É preciso que os governos, em seus mais diferentes níveis, acompanhem esse movimento e passem a valorizar essa profissão tão essencial para o futuro do país.

*Iona Szkurnik é fundadora da Education Journey, plataforma focada em desenvolver o ecossistema de inovação na educação, e membro do Conselho da Brazil at Silicon Valley

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a Exame. O texto não reflete necessariamente a opinião da Exame.

Publicado por luizguilhermeguedes

| guedesonline.com | @guedesonline |

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